sexta-feira, junho 04, 2004

A HIERARQUIA ETÍLICA...

Um dos maiores erros cometidos pelos leigos em assuntos etílicos é posicionar inadequadamente o cidad?o alcoolizado na hierarquia bebunística.
Por desconhecerem que há critérios técnicos regulamentados pelo Incopo, costumam chamar, um simples biriteiro de pau-d'água ou um pinguço de
pé-de-cana.
Bebum, pinguço e biriteiro s?o apenas "estágios" ou "posiç?es hierárquicas" alcançadas de forma meritória com muito denodo e compet?ncia. Tomar um porre
todo mundo toma, porém, ter status etílico, é outra coisa.
Veja abaixo a escala hierárquica: ca

B?bado
É a patente mais insignificante da escala, mesmo porque n?o chega a ser um profissional. A coisa aí é definida pelo verbo de ligaç?o; normalmente o sujeito "está" b?bado, n?o "é" b?bado. É como os ministros. Eles n?o s?o ministros, est?o ministros, o que também n?o impede que o ministro seja ou esteja b?bado. É o pé-de-chinelo da escala! . O b?bado, n?o o ministro, é claro!

Biriteiro
É o cara que, depois de alguns porres, acaba se interessando pela carreira e começa a praticar a bebunagem com regularidade. Como o fígado ainda está tinindo e a família achando que aquilo é só uma "fase passageira", ele vai metendo os cornos devagarinho. Toma tr?s hoje, duas amanh?, pára no domingo, recomeça na terça, vomita na quinta, toma boldo na sexta, e vai indo... Como ainda n?o tem certo domínio sobre o álcool, acaba fazendo merda. E depois da primeira, é uma atrás da outra, para alegria dos cunhados.

Bebum
É uma patente acima do biriteiro. Mais constante e mais previsível quanto ?s cagadas que costuma aprontar, o bebum é aquele cara que vive pagando mico, para a vergonha da esposa e felicidade da sogra. Pode ser "sistemático" - faz merda todo dia, ou "assistemárico" - n?o faz mais merda; já tem o suficiente em estoque.

Pinguço
O que faz com que um bebum seja elevado ? categoria de pinguço é o horário em que passa a adentrar no recinto cachacístico. O bebum é um notívago por excel?ncia, quer dizer, só costuma molhar o chifre ? noite, enquanto o pinguço é um "tardívago"; começa na hora que seria do almoço. Seria, mas n?o é. Almoço, para pinguço, é perda de tempo. Só pode ter sido invenç?o de crente.

Pau-d'água
É o pinguço que já perdeu o respeito da vizinhança. Embora seja uma patente alcoólica de grande carisma, a express?o "pau-d'água" é usada por muitos abst?mios como adjetivo pejorativo. E isso é sacanagem. Se o pau-d'água fosse da família deles seria "vítima do alcoolismo", agora, como n?o é... É o mesmo preconceito que muita gente tem contra a viadagem; se é da nossa família é "homossexual", mas se for da família do vizinho é "viad?o", "bichona sem-vergonha".

Papudinho
É a maior patente da escala, o último e derradeiro degrau. É quando a cara incha de vez, os olhos empapuçam, o passo fica curto, os pés engordam, ! as m?os vacilam, a voz se arrasta e até o anjo da guarda dá no pé. Geralmente é um solitário. Bebe sozinho, cai sozinho, mija nas calças sozinho, e fica babando no sereno até que uma alma caridosa - normalmente um outro papudinho se ofereça para ajudar. Ocorre que, muitas vezes, o outro papudinho está ainda mais mamado e acaba caindo também. Aí, para levantar dois papudinhos s?o necessários outros dois papudinhos, e que quase sempre n?o aparecem já que est?o caídos mais adiante.